sábado, 23 de abril de 2011

Volta do Mar

Nadando na banheira,
Na piscina,
Sendo constantemente regada
Gastando toda a água que abastece não só a minha casa, como a cidade inteira
Penso em levá-la à praia
Mas será que ela iria querer voltar ao meu convívio?
Pobrezinha, antes tão solitária, cansada de lançar sua voz enfeitiçante a pescadores pagãos.
Pobre sereia cor de rosa pêssego, com longos cabelos morenos e olhos cor do céu.
Pobre criaturinha, que aparecera não mais que por acaso no quintal de minha casa,
transportada através do filtro da piscina.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O homem da sua janela grita.
Mal sabe que escrevo sobre ele.
Um homem que grita diz muito sobre si
Um homem que grita se revela
Dele sabemos as raivas, os medos
Dele sabemos a verdade.
Dos homens mudos nada sabemos
Se não os vemos
Nem que existem sabemos.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O manto azul verde claro
Enobrece meu céu
E penso agora no amanhã
No ontem, e jogo fora
no hoje e paro
e surfo inconscientemente na lembrança do mar
Se indo e secando.
Eu sorrindo e pensando:
Pouco importa
Amarelo ouro, rosa choque,
Contorno perfeito, mero rabisco.
Uma alma lívida voando
Um anjo,
Meu anjo e meu carma.